8 de outubro de 2010
24 memórias IV
12 de maio de 2010
24 memórias III
3 de abril de 2010
24 memórias II
15 de março de 2010
24 memórias I
28 de fevereiro de 2010
seu azul, céu de azulejo
16 de janeiro de 2010
do ainda desejo de raízes e asas
29 de dezembro de 2009
pro ano que vem...
19 de dezembro de 2009
pra constar nos quem-sou-eus mais desimportantes
11 de dezembro de 2009
entre místicos e periféricos
“é anúncio?”
é, sim.
“de que?”
pois é... não sei
“ué.. como não?”
é que é um anúncio poético
“de amor? seção de recados”
não. não é pra ser recado. eu queria transgredir. queria que alguém esbarrase num poema procurando carro ou imóvel.
“ah... mas não pode... nosso jornal respeita o leitor que só quer ver imóvel ou carro na seção de imóveis ou carros”
não tem jeito?
“não tem.”
aahhh e quanto fica pra colocar esse texto aqui?
“vamos ver... pode abreviar? ‘p/’ ao invés de ‘para o’?”
não pode... a imagem se perde...
“e o ‘como’, pode colocar ‘c/’?”
acho que confunde ‘como’ e ‘com’... não?
“é.. tem razão... mas desse jeito você vai precisar de quatro linhas... fica mais caro...”
tudo bem... é o preço que se paga pra ver poesia no jornal
“mas você agora pode colocar mais alguma coisa, já que tem uma linha a mais”
não precisa, não tem o que colocar
“ué... mas se tem linha sobrando, coloca qualquer coisa...”
qualquer coisa atrapalha... eu acho que atrapalha...
“então tá bom. você pode entrar na promoção de anunciar na quinta, sexta e sábado”
isso eu quero
“vai sair na seção de recados de 10, 11 e 12 de dezembro então”
ótimo. muito obrigado.
“boa sorte com seu presente”
18 de novembro de 2009
nanoconto bem triste
25 de outubro de 2009
reinvento
18 de agosto de 2009
feito abraço
6 de julho de 2009
12 de maio de 2009
23 de abril de 2009
com o que se cata, se inventa
12 de março de 2009
ciclo vitalício de um poema desde o início (ou ciclo vital de um poema sem final)
5 de março de 2009
sentimentésimo de segundo
como azul me dá
não sei se pelo z já vizinho ao a
ou se pelo ul sem final
recobrindo em eco
silêncio
pode também ser
pela semelhança de traços com a palavra irmã asa
(tão cheia de infinitos)
interessante que eco signifique casa
pausa
poucas palavras se aparentam ao que são
a palavra vôo era mais bonita antes da reforma
trazia nela um passarinho batendo asa bem perto
e um segundo batendo asa no alto mais longe
interessante a ecologia não tratar dessas coisas
por que não selecionar logo tudo?
...que esse texto nasceu por espaços preenchidos de azul
6 de fevereiro de 2009
Coralina e sua Goiás
talvez não ache rapaz
que lhe faça bem casada
-Da porta ouvia por trás-
engole o choro menina,
criança aqui não opina
nem desobedece aos pais
Ana boba, distraída
a lição deixou pra trás:
sabedoria vem da vida
e com a vida muito mais.
Mais aprende quem ensina
com sonho, com sua sina
mostrando como é que faz
Alma bela, emoldurada
de janelas e portais,
reverbera badaladas
((os sinos e os sinais)).
Poesia lamparina
clareando cada esquina
Villa Boa de Goyaz...
...que teu doce me nutre a alma
teu verso me decora o peito...
25 de janeiro de 2009
soprador de ar nas ventas
Deu vontade de eu dizer que poesia é quem me faz...
Isso me pareceu Manoel de Barros, talvez inté fosse. Ele também daria primazia à poesia. Muito mais. Como quando deu primazia à rã, dizendo que era o rio quem morava em suas margens.
Vi que o pai do Manoel de Barros se chamava João. Comprometi aos passarinhos a comunhão de natureza nele. Filho de João de Barros. À primeira vista João-de-barro me pareceu tão João-sem-graça no meio do colorido do pantanal. Depois descobri os jovens artesãos da Casa do Massa Barro, na mesma Corumbá do Manoel, e entendi que João-de-barro era até muito importante: era passarinho construtor e atuava também como metáfora nas horas vagas, ser voante dentro e fora da cabeça das pessoas. Depois veio mais. Ainda no pantanal, aprendi que João-de-barro só anda em par. Eu metido a ornitólogo: mas, Seu Nezinho, agora mesmo eu vi só um! E ele: eu também, mas é que no olho da gente ainda não cabe tudo de uma vez. Foi o mesmo que pousar o par daquele um naquela hora. Dali em diante, toda vez que visse um, consideraria dois, se visse três, quatro, se cinco, seis... Aprendi a contar somando o que eu vejo ao que não vejo e logo me tornei inviável pra ornitologia. Manoel disse que poeta é sujeito inviável, aí pronto. Fotografei a fala de Seu Nezinho como presente pra memória e fui aumentar meu olho.
Manoel também coleciona presente. Li que um dia ganhou de presente o rio. Rio é bonito porque já nasce se escorrendo, igualzinho a palavra infância, que quando é Manoel quem escreve tem o cheiro da minha...
Poesia é quem me faz sim. E se hoje eu falo baixo, é pra não espantar os passarinhos que o Manoel e o Pantanal me colocaram em redor... não perdôo nenhum dos dois por isso.
1 de janeiro de 2009
Anúncio
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ACEITA-SE ANO NOVO
como presente de aniversário...
...ou um mistério em bom estado
...ou um desparafusador de idéia fixa
...ou uma sensação pronta para morar
...ou um catavento 2.3 4x4 abas
...ou uma lua 5 estrelas
...ou uma rima tesãozinha BBG turb. 1.8 alt. bronz. que atenda nua
...ou uma lembrança embalada para o presente
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.
29 de dezembro de 2008
se bem, que minha mão é asa também
na verdade,
nunca consegui escrever sobre passarinho,
nem sobre nada que voa alto
o jeito foi aprender a escrever sob eles
e no tempo em que fiquei
no telhado da minha casa
nunca vi um passarinho
voar negando as asas
esse mesmo passarinho
que hoje eu vi batendo asa
tenho fé seja poeta
sem telhado em sua casa
.
16 de novembro de 2008
Diário de bordo
Tive a oportunidade de ser mágico!
Mas aí transformei condão em cordel
Pra pendurar estrela em
. Segundo Dia
Hoje, nem sei quanto de Céu me cabe nos olhos.
Também não sei quanto paisagem me cabe nos pulmões.
. Terceiro Dia
Minha construção, eu fiz só com rupturas,
uma sobre as outras.
. Quarto Dia
Nem toda ruína é coisa ruim
Por mais que eu ande, que eu viva, que eu veja,
O chão é quem deixa pegadas em mim.
. Quinto Dia
Faço da memória a morada mais rica
Mas ela só guarda o que foi presente
Crescido na lente do que significa.
. Sexto Dia
-Ah! O jeito como você escreve é muito bonito!
-A forma como eu apago é ainda mais ...e só eu vejo...
. Sétimo Dia
De todos os mestres com quem dividi a vida,
Um deles tinha mestrado.
. Oitavo Dia
Na maré baixa, os olhos presenteiam os lábios com gotas de mar. O sal se faz doce.
. Nono Dia
Da próxima vez que me retribuírem com palmas,
Jogo fora o “p” e vou tentar buscar resto da palavra.
Às vezes, quando a gente tira uma letra, acaba ficando maior.
. Tresdontontem
Seu sonho também acorda vermelho nesses lugares onde os galos divulgam amanhecer?
. Anteontem
Esse verso é filho do pouco que sei
Do muito que errei e do que ainda não vi
(Eram quatro... esqueci...)
. Ontem
Biologia ou poesia, do que gosto mais?
- Pra mim tanto faz, desde que nuas
Lembrando o arrepio na pele macia
Da noite em que um dia fez-se juntas as duas
. Hoje
Mas é que Antônio, só rimava com patrimônio, neurônio...
...essas coisas que gente sabida conversa.
16 de outubro de 2008
quando o brilho do olho acende o brilho do resto
poema que é poema
ninguem lê até o final
verdade é, que
ainda no primeiro verso,
ou já o poema é outro
ou já quem lê é outro
porque meus olhos
ainda vão mudar o mundo
nem que seja só o meu
.
4 de outubro de 2008
revolto
coqueiro inclinado para o mar
como ele também era
pensou que por isso
fosse um bom chão de jangada
e porta vela
e o menino e o coqueiro se jogaram
um por cima do outro
os dois por cima do mar
mas o mar se sacudia
jogava os dois de volta pra cima da terra
o menino chamou de revolto o mar
o mar respondeu que revolto era o menino
com seu destino
que se fosse do mar seria marujo
mas como era do ar seria araújo
e alguém acaba de nascer pro que é
o coqueiro até que sabia
mas não perderia esse banho
o coqueiro era mais inclinado a banho
que a existencialismo
13 de agosto de 2008
verso feito passarinho
colibri policromo
o tal passarinho que trocou as penas
por versos e hoje voa
soprado pela saudade
disseram que isso é coisa que eu invento
ainda não entendo essa lógica
penso que se eu não inventasse, aí sim não existiria
ainda quero ver
quem se proponha ser mais real que um verso
um dia embolei um verso criativo,
criativo tanto que ele mesmo era poeta
assim que feito me disse:
- hoje a gente troca, Tonho
eu exercito o silêncio
no seu lugar...
e tú vem pra cá, Tonho.
Tonho!
Hoje é tú que vai voar!



