23 de março de 2007

Aberto para Balanço


É possível tirar algumas horas da gravata, do avental, do sapato, do colete de biólogo para flutuar num balanço interior? É possível sim, pergunte-me como. Perguntou?

Acredito, aprendi com as efemerópteras, que um dia é suficiente para se fazer tudo que queremos (ou precisamos) numa vida, mas claro que um pouquinho só de cada coisa. Precisamos/queremos muito dormir, também precisamos/queremos trabalhar, produzir, gerar conhecimento, experiência. Mas também precisamos/queremos sonhar acordado, relembrar o que já nos encantou, curtir a companhia de alguém, ou simplesmente olhar o céu, caminhar na chuva, relaxar um pouco. É diferente quem tem tempo pra isso.

Mania de cientista querer quantificar tudo, até as coisas não quantificáveis, que a própria ciência já decretou como não absolutas. O tempo é uma delas. Se um dia tem 24 horas, e é saudável dormir 8, poderíamos aproveitar as outras 16 num misto de trabalho e encantamento(8 horas cada), não? Nem quem trabalha 12 horas por dia usa essas horas todas em trabalho intenso. Por que não aproveitar a hora do almoço como um tempo dedicado à auto-analise, uma brecha para se sentir aprendendo de outra forma, produzindo de outra forma. Ou mesmo assumir um tempinho, outras horas só pra isso. O que não podemos é olhar a hora que chegamos em casa, subtrair a hora em que saímos e achar que o resultado foi tempo gasto em cansaço, não deveria ser. Oito horas do nosso dia deveriam ser gastos se divertindo um pouco.

Antes de temos certeza de que 8 horas de atenção e sacrifício ainda não são suficientes e que esse método 8/8/8 não se encaixa na nossa vida, poderíamos levá-lo em consideração, nem que fosse no nosso jeito de olhar o trabalho. Se já dedicou mais de 8 horas de sacrifício, passe a não olhá-lo como sacrifício, tente encontrar algum motivo para olhá-lo como um leve momento de aprendizado.
E as horas que perdemos no trânsito, nos arrumando, lavando a louça ou esperando um ônibus? Onde se encaixam? A resposta é singela: você escolhe! Quer disperdiçar seu precioso tempo de sacrifício com tarefas banais? Considere trabalho, você tem o direito, mas saiba que pode faltar depois quando for necessário. Quer aproveitar como um momento de discontração, diversão? Experimente, veja como faz diferença na sua sanidade mental, que por sua vez faz diferença na maneira como trabalha, que faz diferença na maneira como você dorme e acorda e enfrenta o outro dia. Não precisamos andar com três cronômetros, nem dar ao nosso relógio mais autonomia sobre nossa vida, pelo contrário, só temos que viver cada dia pensando que não é errado nos sentir bem todo dia.

Apesar de um fiel defensor do modelo 8/8/8 de se levar a vida, ele não é criação da minha máquina de fazer efemerópteras. Já existe há muito tempo nas filosofias orientais, o Yoga e o Tai Chi estão aí até hoje confirmando isso.

Depois de me divertir um monte escrevendo tudo isso, já posso calçar de novo o sapato e descer do balanço...

Um comentário:

Pequena Salamandra disse...

Gosto quando o tempo para..eu eu posso observar uma flor cair rodopiando de uma grande e frondosa árvore.