23 de março de 2007

Outras Efemerópteras Nascem...


Natural pensar que as efemerópteras que estavam vivas quando comecei a pensar nelas já se foram...

Às vezes penso na vida como uma máquina de produzir efemerópteras: idéias, experiências, momentos, todos com prazo de validade pré-determinado.

Quando penso assim esqueço que a vida das efemerópteras não é tão simples... Elas não nascem voando, passeiam por um dia, depois morrem. Pelo contrário, passam semanas como ovos esperando amadurecer, depois viram uma ninfa bem pequena no fundo da água, crescendo se alimentando entre as pedras. Depois procuram águas tranqüilas onde podem começar sua metamorfose. Têm um certo trabalho antes de eclodir, as que escapam dos ataques dos peixes finalmente eclodem. Se movimentam na superfície com asas-veleiros secando ao sol, finalmente mudam de novo para uma forma chamada imago. A imago sim, vive poucas horas. Mesmo assim tem tempo de procurar por um parceiro, acasala-se no ar, volta ao ponto do rio em que nasceu para dar continuidade ao ciclo. Só depois de garantir o nascimento de outras efemerópteras é que a primeira enfim se deixa levar pelo rio.

Quando lembro, de verdade, todo o ciclo das efemerópteras, vejo que as idéias, experiências, momentos não são tão fáceis de surgir, muito menos fáceis de se deixar morrer... a continuidade é o que faz de nós, realmente, com toda a coragem envolvida nisso, uma fábrica de efemerópteras...

Nenhum comentário: