13 de maio de 2007

Brás-Ilha

Eu ria com uma lágrima no cantin’ do olho
O tambor de maracatu agor’era trovão
O tempo mudou na marcação do gonguê
Xequerê voava e caia em chuva
A caixa era enxurrada
Na pausa, gritavam ‘hei’ e a trovoada voltava...
Era o elefante Tromba D’água!

Calango Candango, Mocambo Quilombo
Nação Estrelada!

Sabe quando a gente vê aqueles desenhos nas nuvens?
Quando criança, ao olhar o mapa de Brasília com o lago Paranoá, eu via a imagem de um bicho com asas encarando um monstro azul de braços abertos.
Na apresentação do Seu Estrelo, essa fantasia ganhou vida. Impressionante! Tava tudo lá, o Calango Voador dançando ao redor do Tromba D'água.
A intenção do grupo de fundar uma tradição em Brasília com mitologia e tudo, partindo do princípio de que a indentidade cultural da cidade é a sua própria diversidade é perfeita!
Brasília é mesmo uma cidade diferente. Tem a sua própria personalidade, mas essa personalidade traz a marca de tudo o que tem em sua volta. Sua essência é sua realidade ainda em construção. Sua alma de novas idéias se constrói. Todo mundo que chega encontra um pedaço ainda por construir, e por isso herdam o nome dos operários de 60. São também candangos.
Já pensou nisso? A cidade tem um nome pra quem é filho daqui, mas também tem nome pra quem vem de fora! Uma prova da importância e do acolhimento dos dois, brasilienses e candangos...
E não tem como viver aqui e não ser senão os dois: Construção e Operário de Brás-Ilha.
Se todos se sentem sozinhos, nenhum deles está.



Fotografia: Tiago Carvalho

4 comentários:

Sara disse...

Sei não, sei não...
às vezes penso que esse assunto de identidade e tradição é mais complicado do que parece.

Abraço beeeeeeem forte,
Sara.

Antonio Araújo Jr. disse...

Hei, Abração, Sara!

Pouquíssimas coisas são simples né? Nunca foi minha intenção dizer que não.

Na verdade, sempre me senti desconfortável com o fato de que, publicando idéias, pudesse cair em armadilhas conceituais, simplismo, senso comum... mas esse é um dos riscos de quem se expõe.

Sara disse...

Risco lindamente assumido.
Foi tudo implicação minha.
E é rico o que abre possibilidades de discussões e conversas. Você torna isso possível (e, pq não, real....).

Lu disse...

Lindo o seu texto sobre identidade de Brasília. Sabia que vc mudou de certo modo minha visão daqui? Não gosto muito da nossa cidade, sempre achei muito fria, mas lendo seu texto, concordei... Somos uma mistura e aqui tem espaço para todos. Herdamos um pouco de todo mundo. Boas reflexões...