3 de novembro de 2007

Beija-flor-do-canto

I

Já não preciso negar que vi
Sorriso regado em pranto
O mesmo beija-flor do canto
pousou mais de uma vez ali

Nem raro, nem óbvio, singelo
Abraço sincero, aplauso espontâneo,
Coragem no olho, tocar momentâneo
Arrepios de pelo em duelo

Não há mais remar
Num'Árvore mar
No Ar ressaltar

que em plenitude se mostre
quem Colibri serrirostris
Quem Ave se olhe




II

Não me admiraria se um dia
menino que envelheceu depressa
recuperasse o jeito de rir que tinha
e enchesse de poesia a conversa

É alma que encanta compondo em sol
É beija-flor que canta com pôr-do-sol
É mais que o momento
É vida que cata vento

A moça surpreendida por trás
Erguida do solo levada no colo
Um dia cheio de significado se faz

Quando o mundo então se cansar
e em minha volta se escurecer
no epitáfio terei o que escrever:

-Eu sei do que me lembrar.

Um comentário:

Janete Cardoso disse...

Lindas as suas poesias!
Obrigada por surgir! rsrsrsr
beijo