6 de dezembro de 2007

A origem do lendário Beija-flor-do-canto

Nesse mito dos ritos de cá
outro casamento vingou:
Gavião com Caliandra
nasceu dessa ciranda
o extraordinário Beija-flor
herdou da mãe a beleza
do pai o dom de voar
com asas de infinita leveza
ele pousa no tempo (...)
ele Paranoá
das criaturas, o único vivente
que cata vento p'ra se alimentar

...e por ser assim
poder no tempo pousar
ajusta os grãos da ampulheta
à época que melhor se encaixar
à lembrança que se remeta
à vontade que fizer pulsar
vagamundo e vagatempo
sabe histórias desde o momento
em que só havia no mundo
a Terra apaixonada pelo Mar
ou bem antes disso
quando só havia o desperdício
da poesia a transbordar

Para cada flor que encontra
um segredo ele conta
encosta o bico de pífano
toca as asas de tímpano
e canta um conto...
que é outra forma de tocar

Quem sabe um dia
possa assim reconquistar
a flor do ipê-branco
que efêmera por desencanto
sem querer deixou passar

As flores não guardam segredo
histórias chegam em todo lugar
a cor, a trova, o enredo
ganham asas de recomeço
nas borboletas de Mariasia.

Beija-flor,
dê cadência à poesia
que a vida pôs em prosa.





Inspirado no mito que, de tão sincero, é a mais pura verdade. Brincadeira da qual este beija-flor também faz parte! Viva Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro!

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