20 de junho de 2008

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queria mesmo um poema
que fosse fabricar brinquedo com as palavras
que fabrincasse, por si só

um daqueles em que a gente tropeça nas entrelinhas
e que se pode rir da queda, porque no chão eu acho aquela pena da cor que faltava no rabo do passarinho que eu inventei

que me fizesse tampar os bolsos, pelo medo de escapar as borboletas que eu guardo neles
(sou tímido demais pra revoadas)

que fazem o tempo parir o instante de volta às coisas que dona memória empacotou

desses que se interrompem em reticências, e por isso não se interrompem, porque é possível ver as três últimas marcas de pé sujo do poema se disfarçando de folha em branco... * ` ^ ~¨ * ' " ~^`´.. porque poema que se vê como poema, não deixa de crescer dentro da gente...

vai dizer que nunca pensou nas folhas em branco como poemas disfarçados?



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6 comentários:

arayam disse...

aaah...colibrilhou mais uma vez!!
muito bom!!
bjao

Amanda Santiago disse...

Meu Deus! "marcas de pé sujo do poema" perfeito!!
Vc enxerga a poesia em qualquer coisa...

arayam disse...

Não desista, pq
"Um colibri alimenta-se durante todo o ano e deve ser capaz de utilizar uma sucessão sazonal de plantas florescentes à procura do néctar"...(Futuyma) ;)

bjao
;****

Yara disse...

As reticências carimbadas pelos pés no poema fabrincado inacabado entrelinhavado...

Sandrinha disse...

SENSACIONAL!
Fiquei feliz de ter passado por aqui, Antônio! =)
Espero que a gente consiga manter contato nessas férias!

Mil beijos...

Soha disse...

Que lindo Toninho!
Quanta suavidade, quanta delicadeza, quanto sentimento e cuidado com as palavras.
Você escreve do jeito que trata as pessoas, do jeito que vive!

Sinto-me flutuar ao ler seus versos. Obrigada meu bem!