16 de julho de 2008

Ecologia Profunda

Se hoje eu vi o sol nascer,
quem de nós - eu ou sol - nasceu primeiro?

Se uma criança me pergunta quem criou o mundo,
eu faria mal em dizer que o mundo do qual ela fala
só ela conhece e foi ela própria quem criou?

E o mundo do besouro,
não foi ele mesmo quem criou?

E o mundo da pedra, quem criou?
A pedra não tem mundo?

Se um dia eu virar pedra,
para onde vai o meu mundo?

O que conecta a criança ao besouro,
os dois a mim e eu a você?
O que conecta a pedra aos fazedores de mundo?

O que dizer das existências sem contorno?

De que átomos são feitas
as palavras? Quem lhes dá contorno?

Qual crise fez surgir a poesia?

A falta do que dizer faz surgir um poeta?

6 comentários:

Tata disse...

Intrigante. Me pôs a filosofar sem intenção. Hahaha.

Bom dia!

CozinhaDaBruxa disse...

Sorte a minha ter entrado na biologia pra conhecer tamanho poeta que ilumina meu rosto com tão bonita rima!!!

p.s. Tenho uma novidade crescendo!

Quézia disse...

sr, poeta... *.*

Soha disse...

A falta não....
O MUITO, o muito a dizer, a sentir, a pensar, a amar, a viver... isso sim faz um poeta, isso sim fez vc meu bem!

Lindo poema, lindas rimas, lindas correlações... Amei!

ECO-CONSCIÊNCIA disse...

Na Poesia, há muita Filosofia...

Saudações.

Cassia disse...

o bom do poeta, é conectar sem saber ou sabendo um outro mundo ao seu, e tornar o seu o maior do mundo. é ver, pedra, passarinho, criança, e botar de baixo da asa, igual galinha, preciso esquentar os mundos, e trocar calor.

e assim, botei o seu de baixo de uma pena dessas.
E se bate a crise de que pra que e da onde veio a poesia do seu mundo, por um minuto lembre de que um outro mundo em chamas que é o meu, recebeu uma gota de agua do seu. e ficou mais brando.

bacana. Boa. brigada pela conexão banda larga.