3 de julho de 2008

Poemeto a Patativa

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Senhor seu poeta, nem sei se eu te peço
Que olhe o meu verso, tão feio e sem cor
Sem sua viola tampouco seu brilho
Meu verso eu dedilho é no computador


Um instrumento que o senhor não conhece
De longe parece uma televisão
Mas tem um pedaço que é como a sanfona
Quem vê se impressiona com tanto botão


Eu hoje te escrevo porque sinto falta
De alguém com tão alta sensibilidade
Pra fazer poesia brotar da Caatinga
Que o suor respinga e o sol quente arde


E pra te contar que o tronco do ipê
Se encheu de buquê nesse mês que passou
Bem como São João foi comemorado
E que lhe foi dado o devido louvor


Teu centenário também foi festejado
Repente, teatro, trova e cantoria
Eu sei que o Senhor lá de cima olhava
O sol nem raiava e já tinha poesia


Senhor Patativa, o exemplo de luta
da sua labuta lá no Assaré
continua vivo em toda essa gente
que o coração sente a força que é


Essa carta com fé não se atrasa
Penduro nas asas, no vôo do xexéu
Vai endereçada ao Senhor Patativa
Numa tentativa de chegar no Céu


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Os links levam a imagens de Patativa do Assaré pelo fotógrafo e cinasta Jackson Bantim

2 comentários:

gota d'água disse...

não sei se já lhe avisei
mas é que há em você uma estrela que brilha muito mais que qualquer uma que esteja no céu.

- e olha que temos o astro rei; o sol.

teus óim cor-de-jabuticaba denunciam o brilho do teu ser (por mais que mostrem só o prelúdio do que há de vir)

obrigada, mais uma vez, por alumiar o dia,
serzinho especial.

;*

Yara disse...

No céu não sei se chegou.
Mas aqui dentro sim.