11 de dezembro de 2009

entre místicos e periféricos

...sempre deu medo de que o ano que vem não venha,
e com ele meu aniversário...
dessa vez, eu garanti


“é anúncio?”

é, sim.

“de que?”

pois é... não sei

“ué.. como não?”

é que é um anúncio poético

“de amor? seção de recados”

não. não é pra ser recado. eu queria transgredir. queria que alguém esbarrase num poema procurando carro ou imóvel.

“ah... mas não pode... nosso jornal respeita o leitor que só quer ver imóvel ou carro na seção de imóveis ou carros”

não tem jeito?

“não tem.”

aahhh e quanto fica pra colocar esse texto aqui?

“vamos ver... pode abreviar? ‘p/’ ao invés de ‘para o’?”

não pode... a imagem se perde...

“e o ‘como’, pode colocar ‘c/’?”

acho que confunde ‘como’ e ‘com’... não?

“é.. tem razão... mas desse jeito você vai precisar de quatro linhas... fica mais caro...”

tudo bem... é o preço que se paga pra ver poesia no jornal

“mas você agora pode colocar mais alguma coisa, já que tem uma linha a mais”

não precisa, não tem o que colocar

“ué... mas se tem linha sobrando, coloca qualquer coisa...”

qualquer coisa atrapalha... eu acho que atrapalha...

“então tá bom. você pode entrar na promoção de anunciar na quinta, sexta e sábado”

isso eu quero

“vai sair na seção de recados de 10, 11 e 12 de dezembro então”

ótimo. muito obrigado.

“boa sorte com seu presente”

5 comentários:

leila saads disse...

Antônio, só você mesmo!
Se receber alguns a mais lembre de mim!
beijos=*

Mari disse...

Oi Antônio,
Que seu ano novo seja seu presente!!!
Virei fã do seu blog!
um beijo
Mari

Malu disse...

Antonio,

Elisa Lucinda e seus desejos de Ano Novo. Meu presente para você, atendendo o anúncio:

LIBAÇÃO

É do nascedouro da vida a grandeza.
É da sua natureza a fartura
a ploriferação
os cromossomiais encontros,
os brotos os processos caules,
os processos sementes
os processos troncos,
os processos flores,
são suas mais finas dores

As conseqüências cachos,
as conseqüências leite,
as conseqüências folhas
as conseqüências frutos,
são suas cores mais belas

É da substância do átomo
ser partível produtivo ativo e gerador
Tudo é no seu âmago e início,
patrício da riqueza, solstício da realeza

É da vocação da vida a beleza
e a nós cabe não diminuí-la, não roê-la
com nossos minúsculos gestos ratos
nossos fatos apinhados de pequenezas,
cabe a nós enchê-la,
cheio que é o seu princípio

Todo vazio é grávido desse benevolente risco
todo presente é guarnecido
do estado potencial de futuro

Peço ao ano-novo
aos deuses do calendário
aos orixás das transformações:
nos livrem do infértil da ninharia
nos protejam da vaidade burra
da vaidade "minha" desumana sozinha
Nos livrem da ânsia voraz
daquilo que ao nos aumentar
nos amesquinha.

A vida não tem ensaio
mas tem novas chances

Viva a burilação eterna, a possibilidade:
o esmeril dos dissabores!
Abaixo o estéril arrependimento
a duração inútil dos rancores

Um brinde ao que está sempre nas nossas mãos:
a vida inédita pela frente
e a virgindade dos dias que virão!

Lary disse...

Ótima a iniciativa, Antônio!
Parabéns!
:)

Beijos

Felipe Lobo dos Santos disse...

Antônio, parabéns!! Isso deveria ser um movimento!