8 de outubro de 2010

24 memórias IV

às vezes falta rumo e sobra perna
jeito é andar

já andei, já corri, já tibunguei da bicicleta no chão
primeira vez fiquei todo arrebentado
voltei no lugar da queda e procurei marcas de mim no chão.
não vi nenhuma.
eu todo marcado de chão
o chão nem um pouco marcado de mim.

povo diz que a gente deixa pegadas por onde passa.
talvez nem seja.

vinte anos depois veio o verso:

por mais que eu ande,
que eu viva, que eu veja,
o chão é quem deixa pegadas em mim

tem verso que é escrito antes de a gente saber escrever